sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Aos amigos


Hoje eu estou sentimental e não é porque é sexta e está sol. Há 28 aninhos, dona Miriam deu a luz ao terceiro filho, uma menina que eu não sei se era linda – já que ainda não era nascida – mais que alguns anos mais tarde viria a ser uma das pessoas mais especiais que já conheci.

Não me lembro ao certo em que ano ou série nos conhecemos, mas deve ter uns 20 anos mais ou menos. Ela, super popular na escola. Eu, nerd com aspirações a cool. Ao invés de bullying, ela foi fofa e me aceitou no seu seleto grupinho. O porque eu também não me lembro, são tantas coisas a puxar pela memória que seria inviável me lembrar de detalhes.



Crescemos e aparecemos juntas! Eu tava lá quando ela ganhou sua cachorrinha e ela viu quando meu primeiro amor me partiu o coração. Andamos juntas, gostamos das mesmas coisas, compartilhamos dúvidas (muitas!) e julgamentos. Eu ajudei a programar sua festa surpresa de 15 anos. Ela brigou comigo quando eu arrumei um namorado e não queria mais saber das minhas amigas.



No ano passado tivemos nossa primeira (e única!) briga. Foi antes de ela fazer sua terceira grande viagem internacional, dessa vez para um mestrado na Inglaterra. Ela precisava de apoio e eu lhe faltei e até hoje não me perdoo por isso. De parte dela, ela não queria enxergar o que lhe dizia, e ela não se perdoa por isso. Amizade sincera beira um pouco disso, é difícil de se perdoar mas incrivelmente fácil perdoar o outro.



Hoje, muitos anos se passaram e algumas relações ficaram mais claras para mim. Fê e eu não temos nada em comum! Ela, uma acadêmica inteligentíssima, busca suas verdades com uma garra que não me lembro de ter visto em alguém. Fez de sua vida o que quis e por mais que não perceba continua com as rédeas firmes na mão. Eu tenho tanto orgulho dela que chega a me assustar: é, de longe, uma das pessoas que mais torço. Fala 3 línguas, tem dois mestrados e é paga para estudar (!!). Gosta de samba e se envolver em causas humanitárias quando as julga corretas. É crítica e correta. E, para mim, o que é melhor: tem a coragem suficiente para fazer merda, voltar atrás e ainda ficar por lá para entender o que fez de errado. Dedão na ferida para não correr o risco de se auto enganar.



Eu, mãe de dois filhos, trabalhadora de 9hs as 18hs, amante de literatura e cinema ocasional. Transformei a minha vida em dedicação a minha família e tudo em volta é feito e trabalhado para isso.



Nenhuma de nós tem tempo para nada e a saudade bate feio quando o calo aperta. Mas nossa relação é tão vital que já não importa mais: o respeito às prioridades da outra, o entendimento sobre a pessoa que viramos e a vontade de fazer parte um pouquinho do mundo que tanto nos separa, faz com que ela continue sendo uma das pessoas pelas quais eu agradeço todos os dias por ter na minha vida.



A gente vai ficando velho e seletivo, é o que dizem. E sentimental pelo visto.

3 comentários:

  1. Seu texto foi uma homenagem muito bonita !!! Acredito que a idade chega e o véu vai sendo tirado de nossos olhos. Conseguimos assim, ver o que realmente interessa.

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  2. Depois de dois dias naquela correria "de sempre", consegui sossegar e ler esse grande presente de aniversário. Obrigada, Danica, pelo presente homenagem!
    À sua amizade, não agradeco, retribuo, desse jeito que o tempo vem nos mostrando ser um bom jeito.
    Estamos juntas ("tamo junto!") na luta que não é a política, mas a da vida! (Ai que saudade!)

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  3. Denis, querido. Eu concordo com vc. Quanto mais o tempo passa mas eu tenho a certeza de que eu gosto de mim mais velha! rsrsrs

    Fê, minha linda amiga. Sem mais palavras. Nem poderia, né? se continuar do jeito que tá, para mim, já tá bom!

    Bjo grande aos dois.

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"No meio do caminho tinha uma pedra... tinha uma pedra no meio do caminho"