segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Before you accuse me, take a look to yourself..

And she asks me: do i look all right? And I say yes, you look wonderful tonight…

E no clima romântico do Eric Clapton, fomos para o HSBC Arena, a casa de shows do Recreio que se fosse enquadrada na gíria popular seria onde nosso amigo Judas perdeu suas botinhas.
Palmas para a casa de show com cerveja gelada, banheiros limpinhos (e com papel) e imponência monumental no meio do nada. Seu Eric, minhas palmas foram para seus dedinhos nervosos na guitarra verde água mas confesso que economizei algumas por conta de sua total e completa falta de interação (e educação, porque não?) com o público que passava aquele perrengue no domingo a noite só para te ver.
Tem shows que são assim, por mais que o artista não faça nada além do seu papel, ainda valem cada centavo empregado. Foi desses. Som classe A, como disse meu marido. E a pizza de rúcula com parma colaborou com a sensação cândida da noite.

Mas (claro que tem um mas...) a volta, ah, a volta!
Nós, como cidadãos conscientes e fãs de boa música acompanhada de cerveja, não fomos de carro. Contribuímos para o trânsito, para o meio ambiente e para a segurança de todos já que assumidamente íamos, sim, beber. Fizemos nossa parte e gastamos alguns bons tostões no amarelinho. Mas a cidade, caros leitores, a cidade não nos devolveu a gentileza. E nem os outros cidadãos, que em uma competição infiel lutavam para quem empunhava o dedo mais longe para chamar a atenção do seu taxista. E nem o seu taxista que além de escolher corrida tinha a cara dura de nos dizer frases como “50,00 por cabeça” ou “por menos de 100,00 eu não levo”.

Você vai me dizer: é a lei da oferta e da procura! E eu certamente (e sem pudores!) vou te responder: bit me! Isso é falta de caráter. Então me pedem para não ir de carro e minha punição é correr o risco de perder meu carro em uma blitz da lei seca. Então fazem campanhas promovendo o transporte público e o uso da bicicleta e não colocam ciclovia, não impedem que o pivete me tome a minha bike e, claro, muito menos, melhoram a condição dos ônibus nem de seus condutores.

Que relação é essa de via única?

Não perdi meu humor, prova de que o show realmente valeu a pena. Se não fosse meu grande amigo tomando conta dos meus filhos que precisava ir para casa, teria sentado em um boteco e esperado pacientemente pelo fim do frenesi.

Mas isso não me impede de ficar inconformada com o tanto que nos pedem nessa vida e do tão pouco que recebemos em troca. Eu nem estou pedindo ônibus na volta, me dispus a gastar meus trocadinhos tão suados para pegar um táxi, ai de mim de ser tão petulante! Só queria organização, educação e controle. Uma sociedade sem controle, sem um norte onde a gente possa se guiar, fica destinada aos caos. Confiar na consciência de cada um, honestamente, nem eu sou tão ingênua.

Vou continuar fazendo meu papel, porque assim sou, me sinto bem com a sensação de que estou fazendo minha parte. Se tiver um novo evento, novamente irei de táxi. Porém, para não morrer de câncer, solto a bola de pêlos entalada na minha garganta neste humilde canal de expressão: Ontem, meu querido Rio de Janeiro, você me deixou um pouquinho mais cínica.

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