Foi neste sábado passado que tive acesso à edição nº 2238 da revista Veja na sala de esperada de um consultório. Eu não leio a Veja, tenho alguns bloqueios em relação a revistas semanais de informação, mas isso não importa. O que li, fato, me chamou a atenção e acima coloco uma print da matéria (já que não a achei online) para ficar claro a minha atração.
“A literatura está
virtualmente ausente do ENEM. Para os técnicos do MEC, o gato dos quadrinhos é
mais relevante culturalmente do que Graciliano Ramos ou Castro Alves”.
Fui chamada ao consultório, minha leitura estacionou. Eu,
chocada, entrei falando disso: Como assim?! Porém, mais uma vez, afirmando o
poder da reflexão, fui obrigada a admitir que, de sábado para cá, mudei de ideia.
Não que eu tenha a capacidade de valorizar mais a arte dos quadrinhos do que a
literatura (em qualquer um de seus gêneros) porque eu não tenho. Por puro gosto
pessoal, nem me arriscaria a falar de Castro Alves, mas Graciliano?! É uma
afronta pessoal. Mas, como a minha última palavra já diz, é pessoal. Eu
gosto de Graciliano, eu não sei apreciar os quadrinhos, eu acho
um absurdo um ser usado em detrimento de outro. Mas eu também vivo afirmando
que deve-se ler de tudo, até bula de remédio e manual de instrução.
O jovem lê pouco e ponto final. Faz parte da forma como
somos educados e isso não é um elogio nem conformismo, apenas uma gotinha de
realidade. Mas forçar a barra para uma leitura obrigatória me parece muito mais
prejudicial do que bater no peito cheio de orgulho para dizer que caiu Vidas Secas no ENEM.
Não há muito tempo vi uma discussão parecida onde uns
professores defendiam o uso de autores mais “modernos” e acessíveis como João Paulo
Cuenca ao invés dos tradicionais Machado de Assis e Aluísio Azevedo. A
penetração nos jovens se mostrava maior e, o gosto da leitura, vinha
automaticamente, uns defendiam. Em contrapartida, seria um estímulo à leitura
fácil e não reflexiva, outros atacavam.
Na minha humilde opinião, literatura é literatura. Acredito
que, muita vezes é mais importante entender Dante e o papel que ele teve à sua
época do que ler A Divina Comédia que
é um livro difícil e cansativo e para muito poucos. Devemos estimular, claro,
mas com cuidado para não afastar. Linha tênue e quase invisível que para mim é
o maior desafio dos professores de hoje.
Nada contra os quadrinhos, aliás, amo a Mafalda! Fez parte
da minha infância quando comecei a me interessar por leitura e gastava minha
mesada nos gibis da turma da Mônica. A forma adulta desse tipo de arte
desenvolve o poder crítico, de escrever de forma objetiva e de analisar situações
em poucos segundos. Combina com a geração acelerada e tem seu papel. Não sendo
entendida como única, como a música não interfere nas artes plásticas, nem de
longe será uma ameaça aos grandes escritores que a gente tanto ama!

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