Mas,
enfim, não é esse a questão.
O
ponto hoje são os hábitos que a gente desenvolve e os outros que se perdem no
caminho.
Acontece
que esse era um hábito legal, pelo menos eu achava, e a influência que teve em
mim e no meu irmão (mais até do que em mim) foi nada além de positiva. Meu
irmão o tornou vital para a sua existência repetindo a mania noturna do meu pai
em todo o seu inventário de horas do dia. Para mim, o que ficou não foi a
música em si mas a contemplação. A luz apagada, o copo de cerveja, a liberação
dos demônios que insistem em se instalar na gente durante o dia. E isso também
virou vital para mim.
Meu
pai, hoje, não apaga mais a luz e não tem mais um headfone de piloto de avião.
Um dia vou perguntar a ele porque mas confesso que, por enquanto, prefiro
deixar como está. Mas uma coisa é preciso admitir: ele nunca perdeu o hábito da
contemplação. Deixou de ser noturno, acho que a idade não lhe permite mais,
deixou de ser tão intimista, o headfone virou alto falante, deixou de ser
diário, a vida já não tem mais o mesmo ritmo. Mas durante todo o final de
semana, quando não está passando jogo do fluminense, ele fica sentado na mesma
cadeira, bem na porta da varanda, com o mesmo copo de cerveja (pequenininho
para não esquentar!) com o som ligado. Seus olhos variam entre a paisagem
externa (que é a favela do salgueiro mas ele jura achar lindamente bucólico) e
a brincadeira dos seus netos no chão da sala.
O
tempo passa, os hábitos mudam. Mas, sabe de uma coisa, acho que a essência do
que precisamos para viver, continua sempre a mesma.
Bom
final de semana!
Nenhum comentário:
Postar um comentário