Do slogan da Globonews: nunca desliga.
Quando foi que isso virou sinônimo de competência?
Falando em competência um dos maiores questionamentos que
tenho me feito ultimamente é sobre a relação que temos hoje com o trabalho. Sou
só eu ou a sensação de que falta alguma coisa se instalou em cima desta parte
da nossa vida?
Amo meu trabalho. De verdade. Eu já fiz de um pequeno tudo
nessa vida buscando minha independência financeira, um mínimo suficiente para
conseguir distinguir o que gosto realmente de fazer. Já vendi Avon, já fui operadora
de telemarketing de setor de reclamações, já fui vendedora de loja. Já estagiei
por R$ 70,00 por mês atendendo só permuta, já me submeti a trabalho sem receber
apenas para ganhar experiência. Já trabalhei de madrugada, sábados, domingos e
feriados e perdi muitos, muitos almoços. Furei com amigos, desapontei meus
filhos, gastei milhões a procura do perfeito corretivo que iria disfarçar
minhas olheiras.
Recentemente saí de um emprego que eu amava, onde depois de
muito tempo consegui achar algum espaço, ter segurança, bater no peito e ter a
certeza de que eu dominava o que eu fazia. Alguns fatos me levaram a acreditar
que aquela era uma relação desigual, que eu amava mais o que eu fazia do que
eles amavam me ter por perto. Descobri que eu posso perdoar milhares de horas
extras não pagas mas eu não posso perdoar a falta de reconhecimento. Por lá eu
mal via meus filhos e fiz muitos trabalhos que de tanta alteração foram para as
ruas completamente frankstein. Mas eu aprendi uma barbaridade e em cada linha
de raciocínio minha hoje, a dois bairros de distância, vejo uma garrafinha
diferente na minha cabeça.
A gente vai ficando mais velho e começa a entender o que
realmente espera que o trabalho nos dê em troca por tanta dedicação. É uma
análise pessoal, tenho certeza de que muita gente não poderia sobreviver com a
sensação de que seus projetos não saem do papel. Para mim, acho que é tudo um
grande aprendizado. Quando mais ele me der, mais eu o amo e mais eu vou me
doar. Alguns me dão a teoria, outros status. Hoje, aposto na relação pessoal.
Cresço um pouco mais a cada dia e a movimentação cerebral que
meu trabalho me exige me mantém muito viva. Me faz criar oportunidades e buscar
alternativas para conciliá-lo dentro da minha vida no tamanho que eu quero que
ele tenha: nem o mais importante, nem menos vital. Apenas mais uma das mil
funções que me mantém sã.
Dedicação, disciplina, competência e, claro, a certeza de
que sempre poderia ficar um pouco melhor do que ficou.
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