(leia aqui: http://www.meioemensagem.com.br/home/gente/sapo_de_fora/2011/10/18/Miguel-Reale-Jr-.html)
O entrevistado dispensa apresentações e não é porque eu sou casada com um advogado. Até Ministro da justiça ele já foi! O fato de ser jurista, ter escrito uma infinidade de livros e vir de uma família super influente é mero detalhe por aqui (se é que isso pode ser um detalhe!).
Enfim, definições a parte, a entrevista foi curta e objetiva. Miguel Reale afirma estar deprimido com a decadência moral e cultural do país e usa o Rafinha Bastos e seus milhões de seguidores (maiores que o Obama, atualmente explicável, não?!) como exemplo de como nossos ídolos são medíocres.
Alguns trechos da entrevista: "As redes sociais horizontalizaram os relacionamentos, quebraram a comunicação verdadeira. As pessoas escrevem as asneiras que querem e ainda têm a sua superficialidade acolhida, compartilhada por tantos outros (...) A publicidade alimenta esse tipo de mal gosto porque leva em consideração as preferências dos consumidores, assim como os veículos de comunicação, para assegurar a sua audiência".
Por mais que eu concorde com a opinião dele, acredito que da mesma forma que as pessoas foram obrigadas a se adaptar a novas relações sociais a medida que o tempo foi passando (um exemplo clássico aqui é a oposição entre a relação das pessoas enquanto comunidades rurais e sua nova demanda de relacionamento na sociedade industrial), mais uma vez elas se veêm obrigadas a alterar sua forma de se mostrar ao mundo e, consequentemente, de serem enxergadas. Temos muita asneira sendo repassada e temos muitos imbecis sendo seguidos, não nego. Mas não se deve desistir de encontrar uma ponta de olhar crítico em cada uma dessas atitudes aparentemente vãs.
O sucesso do Rafinha Bastos (e do Marcelo Tas, que não foge a essa regra) veio na onda do stand up comedy junto com uma enxurrada de novos comediantes. Coloco no balaio Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo e Caruso, porque não?! Todos eles tem em comum algo que considero de vital importância para as relações entre sociedade e mídia nos dias de hoje: Eles adaptaram seus meios de passar a mensagem e conseguiram penetrar no grande público. Ao chegarem lá, dão alfinetadas constantes para lembrar a todos que rir é muito bom mas que nosso problema é muito sério.
O CQC popularizou a política a seu modo e fez uma galera que nem sabia onde ficava o Congresso se atentar um pouco mais para as eleições locais. Resultado? Quantas marchas contra a corrupção foram marcadas esse ano pelo facebook??
Adnet, e sua gaiola das cabeçudas, colocou filósofos, teorias, arte e história na boca dos jovens. Não me importa se num funk, se rimado, sacaneado ou super sério. A penetração de sua mensagem tem níveis de aceitação altíssimos.
Preocupada, sim, sempre! Mas tentando me adaptar para poder efetivamente fazer alguma coisa pela minha sociedade e, mais, pela a que os meus filhos vão viver.
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