quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Das novas relações da sociedade

Logo de manhã cedinho fui dar uma lida no meio e mensagem e me deparei com uma entrevista concedida por Miguel Reale Jr. cujo título eu não poderia deixar passar em branco "A constituição deveria instituir que todos são iguais perante o facebook".

(leia aqui: http://www.meioemensagem.com.br/home/gente/sapo_de_fora/2011/10/18/Miguel-Reale-Jr-.html)

O entrevistado dispensa apresentações e não é porque eu sou casada com um advogado. Até Ministro da justiça ele já foi! O fato de ser jurista, ter escrito uma infinidade de livros e vir de uma família super influente é mero detalhe por aqui (se é que isso pode ser um detalhe!).

Enfim, definições a parte, a entrevista foi curta e objetiva. Miguel Reale afirma estar deprimido com a decadência moral e cultural do país e usa o Rafinha Bastos e seus milhões de seguidores (maiores que o Obama, atualmente explicável, não?!) como exemplo de como nossos ídolos são medíocres.

Alguns trechos da entrevista: "As redes sociais horizontalizaram os relacionamentos, quebraram a comunicação verdadeira. As pessoas escrevem as asneiras que querem e ainda têm a sua superficialidade acolhida, compartilhada por tantos outros (...) A publicidade alimenta esse tipo de mal gosto porque leva em consideração as preferências dos consumidores, assim como os veículos de comunicação, para assegurar a sua audiência".

Por mais que eu concorde com a opinião dele, acredito que da mesma forma que as pessoas foram obrigadas a se adaptar a novas relações sociais a medida que o tempo foi passando (um exemplo clássico aqui é a oposição entre a relação das pessoas enquanto comunidades rurais e sua nova demanda de relacionamento na sociedade industrial), mais uma vez elas se veêm obrigadas a alterar sua forma de se mostrar ao mundo e, consequentemente, de serem enxergadas. Temos muita asneira sendo repassada e temos muitos imbecis sendo seguidos, não nego. Mas não se deve desistir de encontrar uma ponta de olhar crítico em cada uma dessas atitudes aparentemente vãs.

O sucesso do Rafinha Bastos (e do Marcelo Tas, que não foge a essa regra) veio na onda do stand up comedy junto com uma enxurrada de novos comediantes. Coloco no balaio Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo e Caruso, porque não?! Todos eles tem em comum algo que considero de vital importância para as relações entre sociedade e mídia nos dias de hoje: Eles adaptaram seus meios de passar a mensagem e conseguiram penetrar no grande público. Ao chegarem lá, dão alfinetadas constantes para lembrar a todos que rir é muito bom mas que nosso problema é muito sério.

O CQC popularizou a política a seu modo e fez uma galera que nem sabia onde ficava o Congresso se atentar um pouco mais para as eleições locais. Resultado? Quantas marchas contra a corrupção foram marcadas esse ano pelo facebook??


Adnet, e sua gaiola das cabeçudas, colocou filósofos, teorias, arte e história na boca dos jovens. Não me importa se num funk, se rimado, sacaneado ou super sério. A penetração de sua mensagem tem níveis de aceitação altíssimos.


Poderia ficar aqui citando exemplos por toda a tarde, não me faltariam. Mas, por hora, quero apenas reafirmar que isso não é uma defesa ou incentivo à cultura de massa. Não apoio a publicidade, não ganho dinheiro na Globo, acho que o comentário do Rafinha Bastos foi extremamente infeliz  e nunca fui a uma peça de stand up. Mas eu, ao contrário do Miguel Reale Jr, não estou deprimida. 

Preocupada, sim, sempre! Mas tentando me adaptar para poder efetivamente fazer alguma coisa pela minha sociedade e, mais, pela a que os meus filhos vão viver.

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"No meio do caminho tinha uma pedra... tinha uma pedra no meio do caminho"