Chegaram
os livros! Digitei imediatamente no meu fiel utensílio eliminador de ansiedade
tão logo o porteiro me entregou o pacote sedex. Não eram meus mas o orgulho foi
muito parecido. Tinham cheiro de novos e cada um continha uma dedicatória particular.
Me pergunto o quanto foi difícil decidir o que escrever. Aquelas palavras ficariam para sempre e cresceriam com aquelas crianças. E as destinadas aos adultos reforçariam laços e entregariam todo o sentido escondido ali. Pensei, de novo, se em mim esses exemplares causaram esse tipo de frenesi, imagino a catarse que não foi dentro dela. Eu acompanhei tudo, eu sei como e porque foi escrito e reescrito, quantas vezes entrou e saiu da gaveta e hoje, estava ali. Revisto e recheado da sensação de que muita coisa ainda podia e deveria ser alterada seja no texto seja no destino dos personagens. A gente sempre quer que a vida tenha um rumo diferente.
Meu
primeiro impulso foi abrir a primeira página e começar a ler imediatamente mas obriguei
a travar. Nada de impulso, nada de espontaneidade. Eu e ele teremos o nosso
momento, não há de demorar.
Imagina
a dificuldade em colocar um ponto final em uma história. Mandar para a gráfica,
chega, acabou! É uma pequena morte, é a certeza de que nada mais ali poderá,
mesmo, ser alterado. Perde-se o controle sobre algo que saiu de você. Manter
uma história na gaveta, ou mesmo na sua cabeça dá um conforto danado, disso que
posso falar: ela é sempre algo por vir, uma coisa maravilhosa que um dia vai
criar asas e mudar tudo. Fechar uma porta com cimento e tijolo e sair por aí,
totalmente sem controle.
Que
medo.
Meus
parabéns, minha querida amiga Maria Amorim, pela publicação do seu primeiro
romance e, acima, muito acima, que você saiba do grande orgulho que tenho da
sua coragem.
Bom
dia e bom final de semana a todos. Assim que “Todos os mares” for lançado no
brasil, darei notícias.

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