quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nas mãos do povo

Pela terceira (e mais feliz!) das vezes acabei minha história com Bentinho, Capitu e Escobar. Estou sendo repetitiva, eu sei, já falei deles uma infinidade de vezes por aqui. Mas tenho defesa! Descobri que a releitura de um livro diz muito sobre a nossa personalidade ou, ao menos, nos fala que tipo de pessoa estamos nos tornando à medida que o tempo passa.
Não é segredo algum que o que determina se o seu contato com algum objeto de arte vai te tocar ou não é a sua relação com ele. O que me afeta pode, de longe, não afetar você, leitor escasso, se sua história de vida não tiver nada a ver com a minha.
É tudo uma questão de target!
Também não há mistério no fato de que nós mudamos ao longo de nossa vida. Amadurecemos, crescemos, ou não, aprendemos com a vida traços que só o tempo pode fazer visíveis. Claro que conheço adolescentes mais interessantes que muito adulto por aí mas essa não é a questão agora.
Hoje bato o martelo com a certeza de que me tornei uma adulta racional, extremamente objetiva e sensível a sutilezas de humor que sempre me faltaram. Tudo mostrado com a devida clareza por Bentinho e sua gigantesca paranóia.

Explico-me: Da primeira vez que li Dom Casmurro, na extinta oitava série, tive a certeza de que Capitu havia traído Bentinho, coitado do Bantinho! Na segunda, já no segundo grau, tive a certeza de que ele só era mais um dos muitos homens paranóicos que conheci ao longo da minha vida (àquela época eu já havia concluído que os homens tem uma tendência natural a paranóia). Hoje, meu veredito é o seguinte: Capitu e Escobar tiveram sim uma noite de amor (ou algumas!) com o único propósito de gerar Esequiel. Bentinho deixa claro, mais de uma vez, o quanto o casal queria e tentava gerar um filho e não conseguia. Sendo assim, concluo, foi um ato de amor por parte de Capitu e Escobar. Desses atos que ninguém consegue explicar ou racionalizar. Simples (e genial!) assim! Romântico e prático. Capitu morreu de desgosto e Bentinho viveu sob a penitência da dúvida e da paranóia eterna. 

Mas preciso fazer uma ressalva: um pouco de cada fase ainda existe dentro de mim. Ainda tenho pena de Bentinho, como tinha lá na escola. E ainda acho que os homens são muito paranóicos, tal qual conclui na minha adolescência. Pensamentos distintos para um sentimento parecido.

Com o perdão da palavra, Machado é Foda! E sigamos para o próximo desafio. 


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Que, aliás, conto com a ajuda de quem me lê (nada mais justo já que eu acabo mesmo despejando tudo por aqui.) Qual será minha próxima leitura?



Opção 1
Mário Quintana - Antologia poética

Porque marido me disse que para ele é uma das referências de escritor e eu sou petulante.







Opção 2
Elisabeth Roudinesco - Freud - mas porque tanto ódio?

Porque para viver com uma cabeça como a minha só crendo muito que, ao menos, Freud, explica!






Opção 3
Edney Silvestre - A felicidade é fácil

Porque quem escreve bem um merece o benefício da dúvida para o segundo.

4 comentários:

  1. Nossa !!! Eu estava preocupado com qual game passaria minhas férias... De cara fui no Edney, mas após ler o capítulo que a editora liberou no site achei o tema meio pesado. Não consigo gostar de poesia, então sobrou a defesa do Freud. Por sinal, deu até vontade de ler o livro que originou esta resposta. bjs

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  2. Quintana, sempre. E o engraçado é que comecei a lê-lo nos livros esquecidos na Sorocaba pelo seu esposo. Taí uma dívida q tenho com ele. Bjs

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  3. Quintana! É de um humor e sutileza ímpares, você vai gostar. É um de meus poetas prediletos. Se quiser um aperitivo, tem aqui: http://castelo-de-cartas.blogspot.com/2005/05/mario-quintana.html

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  4. Marisa, querida colega de trabalho. Você sempre tem um site na manga, menina!!!!!!

    Depois de infinitos votos através deste humilde canal de comunicação e com a ajuda das redes sociais, martelo batido: Quintana, será!

    Li, rafa está louco atrás desta relíquia. Ainda existe ao nosso alcance??

    Denis, voto vencido. Mas não se preocupe, a leitura será praticamente paralela porque eu estou doida para entender todo esse ódio!!

    O coitado do Edney precisa entender: é novato, não pode chegar e sentar na janela, não é mesmo? Foi uma batalha justa. Obrigada a todos!

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"No meio do caminho tinha uma pedra... tinha uma pedra no meio do caminho"