sábado, 5 de novembro de 2011

94 anos e muito bacalhau

Aprendi a gostar de bacalhau com meu marido e sua família. São portugueses imigrantes, a geração dele é, na verdade, a primeira nascida no brasil. Ou seja, não se trata de um parentesco distante daquele que todos nós temos em vista que o brasil é um país de descendentes das mais diversas pátrias. São portugueses, lá de portugal, do vinho e do bacalhau, da fartura e da valorização da família. Do "coma mais, minha filha, estás muito magrinha". Da gentileza e do calor humano.

Aprendi a amar este país, antes tão desconhecido, amando essas pessoas e, principalmente, valorizando tanto gesto de carinho. Continuo sendo ricotta (nunca vou deixar de ser ricotta!) mas grande parte de mim, hoje, é amorim.
E foi essa parte que foi para a cozinha preparar um bacalhau para o meu marido hoje. Não sou tão boa esposa assim, foi para ele e foi muito para mim, preciso assumir, aprendi mesmo a gostar do peixe. Fiz duas receitas: uma, ensinada pela minha sogra, intercala camadas de bacalhau, batata, cebola e azeitona preta (e muito azeite!). Outra, adaptada para o paladar infantil do meu filho, virou escondidinho de bacalhau.

Almocei à moda deles, com uma taça de vinho tinto. E brindei à matriarca recém falecida que dizem as boas línguas, era a responsável pelos melhores bacalhaus já vistos no Engenho de Dentro.

Porque 67 anos não são 67 dias e dona Lucinda e sua infindável dedicação devem permanecer nas próximas gerações.

Bom sábado a todos!

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"No meio do caminho tinha uma pedra... tinha uma pedra no meio do caminho"