sábado, 19 de novembro de 2011

O caos. Terra de ninguém.

Eu já tinha visto no mural de algumas pessoas algumas reflexões a respeito da temática do filme "O preço do amanhã" que me fizeram ficar ainda mais curiosa para dar um pulinho no cinema. Tudo bem, era a minha segunda opção, queria mesmo ver o filme do menino de biclicleta dos irmãos belgas mas, antecipando o filme, eu não sou mais dona do meu próprio tempo e a única sessão que consegui pegar foi essa (também tinha a opção da saga dos vampirinhos mas adolecentes deprimidos não faz muito meu estilo pessoal).

O Justin era só um detalhe em um filme que tinha a Dra. 13 e o Leonard no elenco, convenhamos.

Enfim, comentários sériemaníacos a parte, sigamos. A história gira em torno de uma realidade futura onde nossa moeda passa a ser o tempo que temos de vida. Resumindo: quando nascemos temos 25 anos de bônus e até lá não passamos por muitos sustos. A partir de então cada minuto do seu dia precisa ser conquistado (leia-se, trabalhado) para que você possa viver. Se eu pudesse fazer um paralelo com os dias de hoje diria que não é possível viver no negativo do banco neste futuro imaginado: ou se tem, ou se morre.

A ideia me parece brilhante e extremamente atual. Quem não sofre de ausência de tempo? Me lembro bem de tempos em que a recomendação dos médicos era a de que precisávamos de, no mínimo, 8 horas de sono. Hoje são 7hs. Que mutação nosso corpo sofreu em metade de década que justifique essa redução?

Enfim, críticas ao sistema a parte, sigamos. Quando o mocinho, Justin, encontra a mocinha, garota da capa vermelha, eu me lembrei da "Dama e o Vagabundo": no meu mundo é assim, no meu é assado, vamos dividir esse macarrão e se apaixonar perdidamente.

Quando ele a sequestra e ela acha isso super normal, me lembrei de "Ata-me", com o louco do Almodóvar transformando o Antonio Bandeiras em um psicopata romântico.

Quando ela resolve vestir um sobretudo por cima de um mini macaquinho colado, desses tipo fraque, que é mais curto na frente, plus salto mega alto, plus franjinha e olhos marcados de lápis preto, me lembrei da Angelina Jolie em... em qualquer filme que ela faz onde é uma justiceira mega ultra super sexy e feminina.

Quando os dois começam a combater tudo e todos para roubar dos ricos e doar para os pobres e ficam repetindo: É roubo se já foi roubado?, me lembrei do Robin Hood na versão contada em Shrek 1, onde ele é um pela saco insuportável em quem a Fiona mete a porrada.

Quando eles sobem a escadaria de um mega banco, ele lindo, ela poderosa, sozinhos, enfrentando todo o sistema, me lembrei de "Born to kill", do Tarantino com um final mais parecido com uma versão do James Cameron. (Nesse momento me atentei especialmente ao salto da mocinha e me lembrei da minha amiga Elaine Monteiro que é única que eu conheço que se equilibra no 426 com um salto 20 e nunca, nunca! perde a elegância. Ela deveria ser dublês para este tipo de cena...)

Enfim, momento pessoais a parte, sigamos. Sim, eu saí com a problemática "O que ando fazendo com o meu tempo" na cabeça e, mais ainda, não consegui parar de pensar no fato de que o caos se instala no momento em que o filme acaba. Outra referência, esta angustiante, me tomou de assalto ao me lembrar de "Ensaio sobre a cegueira", o filme, não o livro, porque a trabalho psicológico do Meirelles merece esse destaque na memória.

O caos. Terra de ninguém.

A gente passa a vida inteira torcendo por um momento aonde a ordem se inverta e as diferenças diminuem mas ninguém para pensar que tipo de ordem se mantém enquanto as diferenças persistem. Não estou fazendo apologias à nada, nem poderia me arriscar a isso neste momento. Mas fiquei angustiada com a possibilidade de que tudo o que eu acredito ser a solução para um problema macro seja apenas a criação de um novo.

Bela mensagem muito mal passada, seria minha crítica se este poder eu tivesse. Roteiro fraco e pouco convincente para um tema que merecia ser explorado de forma mais lúdica e centrada.

Bom finalzinho de sábado!

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"No meio do caminho tinha uma pedra... tinha uma pedra no meio do caminho"