Quem anda sabe o grande equilíbrio interno que é preciso ter quando se encara o transporte público no rio de janeiro. Eu, que há muito havia abandonado essa vida, me vi obrigada e retornar no modelo mais heavy, aquela associação sacal entre trânsito e ônibus lotado, no auge das temperaturas desreguladas: ou se está muito frio ou insuportavelmente calor.
Voltei a entender as piadas internas do facebook: já sei porque as pessoas querem doar fones de ouvido e saquei porque muitas mulheres andam com o salto alto da bolsa. As unhas do mindinho continuam maiores que as demais e os motoristas ainda arrancam com suas máquinas enquanto você está no segundo degrau da escada.
Tem o velho esfrega-esfrega, tem nossos amados cínicos fingindo sono para não ceder lugar. E muitos, muitos! idosos e mulheres com crianças de colo. Principalmente se no seu trajeto você passa por copacabana.
Como não poderia ser pior, para dar um ar mais clean a nossa linda cidade, resolveram que era uma boa idéia padronizar as cores e alterar algumas numerações das linhas. Em primeiro lugar, vamos combinar que bege não é uma boa cor padrão para nada. Já não basta a tristeza de precisar do mercedão eu ainda tenho que fazer sinal para um tom pastel ambulante. Como se já não bastasse, eu, cega que sou, perco ônibus incessantemente! Ele vem, ele é bege. Eu olho, fixo o olhar. O painel luminoso me ofusca a vista e eu não tenho a certeza se aquilo é um 8 ou um 3. Ele vem, tá chegando: chamo e corro o risco de ser ofendida publicamente por um motorista super educado ou arrisco meu levantamento de dedão em cima do laço. Como fico constrangida com muita facilidade, aguardo. Meus queridos, adivinhem: ele não para!
Basicamente pego ônibus de carona no dedão dos outros. O ponto mais cheio é sempre meu destino final.
Mas nem tudo são espinhos! Não... a de se elogiar as iniciativas em benefício do povo. Palmas para as fachas exclusivas (ainda poucas, ok, mas fazem diferença por onde passam), para os guardinhas da cet rio e seus apitos cheios de gás. Eu que trabalho no terceiro andar no coração de Ipanema sou testemunha do fôlego dos rapazes. E, novidade que me pegou de surpresa no início desta semana e que espero do fundo do coração que vire uma regra: demarcaram os pontos! Sim, pessoas que não andam mais de ônibus, pasmem como eu pasmei! Organizaram a bagunça por aqui e o motorista não para por nada fora do seu ponto padrão (e, claro, também não para mais fora dele!). Eu sou obrigada a andar 2 quarteirões para ir embora mas preciso assumir que os ônibus estão mais vazios e o trânsito mais organizado.
Passo 1 dado. Antes tarde do que nunca. E eu, confesso que, além de otimista com o futuro de minha cidade amada, estou orgulhosa de mim: inabalável, aprendi até a fechar os olhos e relaxar no meio do caos. Ioga que nada, buda na mente é não ter nenhum músculo contraído, olhar sobresaltado ou bolsa agarrada ao peito durante seu caminho diário.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
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