“...Não tenha a preocupação de fazer obras primas, que de há muito eu já perdi, se é que algum dia a tiver, mas só e simplesmente escrever sem justificação. Isto é muito melhor que traduzir Proust, distração que não distrai, porque é chata como toda tradução, e acaba nos desculpando muito fracamente perante nós mesmos de não havermos escrito por nossa conta e responsabilidade.”
Até Drummond se sentia diminuído perante a genialidade alheia. Absorvendo sua humildade, tomo o conselho para mim com muito foco: escreva e escreva sempre, sobre qualquer coisa. Da mesma linha do leia tudo o que puder, nem que seja bula de remédio. Pode parecer bobagem mas a vida fica mais clara, a gente fica mais leve e muitas coisas passam a fazer sentido depois de cuspidas no papel (ou, vá lá, tela).
Já falei aqui que estou relendo Dom Casmurro, não? Minha terceira vez. De longe, minha favorita. Como podemos pedir para nossos adolecentes que o entendam em meio aos hormônios saltitantes que lhes ferve? Da sutileza do amor que Bentinho sentia por Capitu enquanto ainda eram crianças. Do "passar a ser homem" apenas aos 15 anos de idade. Eu, em primeira visita à casa de Matacavalos, não senti nada do que hoje sinto. Não o achei um gênio, me lembro de o achar simplório. E só um cabecinha imatura emocionalmente pode não perceber a magia e a dificuldade em se fazer o simples.
Machado e Drummond me inspiraram hoje. E ainda bem que eles existem porque às vezes a vida real não é nada fácil de digerir.
Boa terça! E leiam! E escrevam! E nunca, nunca roubem os óculos do Drummond em copacabana nem admirem um comercial que representa Machado branco. É preciso respeitar os mais velhos, os mais velhos já diziam. Imagina os gênios.


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