quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Da nossa relação com a comida.

Pois é. Mais um texto autopiedoso. Não pude me conter depois do sonho que tive essa noite. Não é novidade ter uma noite agitada sonhando com trabalho ou com alguma função não feita no dia, alguma pulguinha mordendo sua orelha, alguma culpa remoendo seus REMs. Mas, e quando tudo se mistura? Minha madrugada foi regada a um misto de trabalho com comida, ou seja, o sonho era eu, cozinhando um prato super light (cuja receita eu não conseguia acertar de jeito nenhum!) no meio do meu trabalho, com uma super pressão para me fazer ouvir, olhando no espelho para ver como minha barriga estava se comportanto naquele ambiente cheio de comida.
Se tenho sérios problemas psicológicos? Não não tenho. Mas, atenção para o clichê, sou mulher! Só consegui, de uma forma tão neurótica que tenho até medo de levar para análise, reunir em um único sonho um punhado pequeno de todas as paranóias que as mulheres carregam na mochila todos os dias.
Vou focar na nossa relação com a comida, até porque não seria saudável me estender em tanta coisa fora do lugar.

Eu amo comer. Você, aposto, também ama. O cheiro, o gosto, a sensação de saciar o corpo, o desejo, a gula, a transferência: tudo o que se relaciona com comida é bom demais e nos tendencia constantemente, ao abuso. Se abusamos, engordamos. Se engordamos, alerta ligado a estética errada! E a saúde? Somos bombardeados diariamente pela urgência de saúde.
Eu tenho dois filhos e, só este fato já me faz prezar pela minha saúde muito mais. E pela deles, tenho que dar o exemplo! E você acha que eu me conformo com o corpo pós maternidade? Claro que não, muita coisa ainda o envolve e faço questão de mantê-lo ao menos confortável para meu espelho.

Só me resta regular meu relacionamento com a comida. Eu a amo, ela me ama. É como uma droga que está em cada esquina. E eu não posso! Vocês entenderam? EU NÃO POSSO!

E não posso porque? Porque não sou bem resolvida o suficiente para assumir uns quilos a mais ou porque sou responsável ao extremo ao me preocupar com meu corpo e minha qualidade de vida a longo prazo? De um jeito ou de outro, a culpa me corrói sem dó nem piedade.

Os nutricionistas, médicos e afins nos falam que precisamos mudar nosso estilo de vida: praticar exercícios regularmente, controlar o açúcar, o álcool, a gordura, blabla. E nossa cabeça com toda essa mudança? Quem cuida da frustação, do "não-poder", da restrição? Analista? Ah, tá..

Não adianta fingir que essa mudança no "estilo de vida" é algo sem traumas, mesmo que feito sem exageros. Somos humanos e tudo o que é proibido nos é irresistível. Não vou nem falar sobre a negação que envolve o "tem que fazer" das dietas e dos exercícios. Mais uma vez (e estou chegando a conclusão de que posso encerrar todos os textos do mundo com essa frase) é uma questão de escolha. De um jeito ou de outro o caminho escolhido irá te privar de alguma boa sensação, seja o prazer de comer uma panela de brigadeiro em um dia frio, seja a de estar tranquila com um resultado de exame de sangue.

E, bad news, se tem uma coisa que mulher tem muita dificuldade em admitir é que ela não pode tudo...

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"No meio do caminho tinha uma pedra... tinha uma pedra no meio do caminho"