Quando vinha no ônibus oscilava os pensamentos sobre a necessidade ou não de ir ao encontro. Em cada curva uma nova linha de raciocínio. Primeiro se lembrava de todo o trabalho de auto ajuda que fazia consigo mesma, de como sempre deixava tudo de lado em uma primeira dificuldade. Repetia: não é uma opção, você tem que ir, não é uma opção. Mas acontece que era uma opção. O problema de termos uma cultura folgada é que ela nos permite muitas fugas e, pior, oferece todas as desculpas. Tá todo mundo estressado, ninguém tem tempo para nada. Na prática isso significa que toda e qualquer pessoa pode justificar suas falhas com este argumento super razoável. Quem vai te julgar?
Ela se esforçava de verdade mas a cabeça da gente é uma parafernalha ardilosa. Quanto mais colocamos objetivos à frente mais buscamos recursos para se esquivar deles. A sensação de fracasso passa a ser constante. No meio do mantra e do esforço mental de se mostrar que ela, sim, estava se enganando mais uma vez, vinha uns flashes insistindo que ela já teve um dia de cão e dessa vez, só dessa vez, merecia um descanso. Era uma exceção, claro, uma exceção. Na próxima vez ela não faltaria de forma alguma!
Quando a vida das pessoas vira uma página dos 10 passos do AA a gente já pode gritar por ajuda divina?
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